quinta-feira, 24 de julho de 2008

COMO VOCÊ GOSTARIA QUE SEU BAIRRO FOSSE?

Este questionamento teve como objetivo tratar das carências do bairro sentidas pelos participantes, assim como destacar os aspectos postitivos do bairro, que precisam ser cuidados. Para tanto, no dia 21.06 os participantes destacaram os seguintes aspectos:
  • Segurança;
  • Áreas de Lazer e Parques;
  • Aproximação das direções das escolas com os moradores do bairro, no intuito de promover atividades conjuntas de caráter cultural e educacional;
De certa forma, todos estes aspectos já haviam sido discutidos anteriormente. Principalmente a questão das áreas verdes, que inicialmente foi tida como ponto contraditório na percepção dos participantes, hoje é vista como carência.
No dia 28.06 foi a vez de visualizar como ficariam estras transformações no bairro e também de trazer exemplos de soluções para problemas semelhantes em outros bairros.
De início, todos foram citando a localização dos equipamentos públicos e privados de saúde, educação, cultura, segurança e lazer, que foram mapeados com o recurso do georreferenciamento e nos possibilitou enxergar que alguns aspectos tidos como carência não correspondem à realidade.
Exemplo disso é a questão da segurança:
(INSERIR MAPA COM DELEGACIAS E POSTOS POLICIAIS)
O bairro é cercado por delegacias e bases da polícia militar, no entanto, o que falta é uma ação preventiva, como rondas.
Outro ponto contraditório foi a relação escola x comunidade:
(INSERIR MAPA COM ESCOLAS)
Observamos que nas escolas da região (a maioria estaduais) há o programa Escola da Família, que desenvolve atividades abertas à comunidade nos finais de semana. Assim, o problema está na divulgação destas atividades - que precisa ser melhorada -, mas também na aproximação dos participantes da oficina com estes espaços para sugerir atividades de interesse comunitário e participar das atividades existentes. Ou seja, é preciso primeiro conhecer o que já é desenvolvido.
A presença de espaços de cultura como cinema (poucos), teatro (nenhum), bibliotecas (três), casas de cultura (duas), embora não tenham sido percebidas como carência pelos participantes, quando abordado de forma estimulada se mostrou interessante.
A partir destas constatações, passamos a pesquisar e discutir ações desenvolvidas em outros bairros para superar dificuldades semelhantes às encontradas no entorno do Telecentro Dom Bosco II. Em sua maioria, os exemplos encontrados se referem a ..... e podem ser encontrados nos seguintes endereços:
(INSERIR OS ENDEREÇOS ENCONTRADOS)
Por fim, os participantes pensaram em soluções para o seu bairro. Desta discussão, saíram as seguintes propostas:
Lazer e parques: Devido a escases de áreas verdes e a falta de espaço para a construção de parques, foi sugerido que a prefeitura coloque uma linha de onibus gratuita com com preço bem abaixo da tarifa comum circulando nos bairros do entorno até os parques da região, como o Parque Raul Seixas e Parque do Carmos, além de outros espaços cuulturais e de recreação;
Ainda sobre o assunto, foi constatado que uma área próxima a Obra Social Dom Bosco que seria utilizada para a construção de empreendimento imobiliário, teve a obra embargada por solicitação do IBAMA, já que há importantes espécies de árvores e plantas no terreno, como o pau-brasil. As árvores estão todas identificadas com plaquetas numeradas. Quem sabe esta área poderá se transformar em um parque?
Segurança: maior circulação de viaturas como forma de prevenir a criminalidade, ao invés de uma ação repressiva após a ocorrência do ato de violência.
Cultura: eventos culturais em ruas de lazer (a serem criadas) e nas escolas (Programa Escola da Família);
Saúde: na região há grandes hospitais e uma boa distribuição de postos de saúde, assim constatamos que o problema é a enorme demanda de populações em bairros próximos que não tem uma boa estrutura. A solução, neste caso, seria o apoio a construção de hospitais nestes bairros carentes.
Todas estas sugestões e outras ainda serão melhoradas, documentadas e encaminhadas ao poder público e lideranças locais, na intenção de testar as idéias e em caso de aceitação promover ações para a implementação das medidas.
Desse modo, a observação sobre o bairro foi aguçada, deixando de lado algumas idéias de senso comum e pesquisando a fundo problemas e soluções.

sábado, 19 de julho de 2008

COMO É A ESCOLA QUE VOCÊ E/OU SEUS FILHOS ESTUDAM E COMO VOCÊ GOSTARIA QUE ELA FOSSE?

No dia 07.06, discutimos a experiência de cada participante com a escola, e suas percepções sobre os aspectos estruturais e organizacionais; preferências e carências.

Com o auxílio de usuários do Telecentro, levantamos algumas informações sobre a situação atual percebida pelos alunos, principalmente pela Léia. Foram destacados os seguintes aspectos:

- Há laboratórios de informática, porém não estão permanentemente à disposição dos alunos, que só o utilizam sob a supervisão de um professor, além de ter inúmeros sites bloqueados (msn, orkut etc.) que embora não sejam de pesquisa, são importantes para a inclusão digital. Tanto é que muitos preferem utilizar os Telecentros.

- A estrutura contempla todos os ambientes necessários para o ensino: quadras, bibliotecas etc., mas os espaços estão deteriorados. Ainda assim, a quadra é o espaço preferido pelos estudantes.

-
Os alunos mais novos (média de 10 a 15 anos) não sabem dizer quais os assuntos tratados atualmente nas disciplinas escolares.

- Reclamam dos professores, que não desenvolvem uma didática que proporcione o interesse dos alunos.

Os participantes mais velhos apontaram diferenças importantes sobre a escola de ontem e a de hoje:

Segundo Minervino e Aparecido, a escola não tinha como principal função educar para o mercado de trabalho. Mesmo porque, muitas pessoas vieram para São Paulo sem instrução, e mesmo assim tinham a garantia de conseguir emprego.

Estes participantes têm facilidade de lembrar do conteúdo estudado, ao contrário do que ocorre hoje.

Ao final, os partiipantes elaboraram uma lista com os principais problemas:

- Falta de relacionamento entre a direção da escola e o bairro;

- Falta de segurança para os professores (sugerem modificações no ECA para coibir atos de violência dos alunos)

- Falta de professores (atualmente há muitas aulas vagas)

Em resumo, chegamos a conclusão de que os problemas do ensino tem como causa alguns fatores que estão além dos muros da escola.

No dia 14.06, a discussão foi sobre a importância da educação e do espaço público para a formação da identidade/cidadania, passando pelos problemas tratados no encontro anterior. Deste modo, o encontro foi norteado por um texto publicado no blog http://www.pulaomuro.blogspot.com/, que trata exatamente dos problemas externos que influenciam no ambiente escolar: a atual crise de valores, a qual agrega aspectos morais (nas famílias), passando por aspectos educacionais e até mesmo de ordem econômica.

É fato que ha décadas o formato das famílias vêm se alterando. Hoje, é grande a quantidade de pais separados e, mesmo os que estão juntos, há o problema da falta de tempo, uma vez que homens e mulheres trabalham, ficando menos tempo com os filhos. Com isso, a educação que vem da família, que tem mais a ver com a formação individual da criança (formação de caráter, se assim posso dizer), fica prejudicada. Observamos que, em muitos casos, os pais esperam que a escola os substitua nesta tarefa. A escola tem a função da educação para a sociabilidade. Isto é, ela deve ser um complemento da educação familiar, e NUNCA sua substituta. Como demostra o IDESP, atualmente o ensino público é de má qualidade, o que siginifica dizer que ele não consegue realizar nem o seu prórpio objetivo: a construção da cidadania, quanto mais substituir a educação familiar. Assim, temos que muitas crianças não recebem a devida atenção no lar (e aqui não estou criticando os pais, mas propondo uma reflexão sobre nosso atual modo de vida), e também não são devidamente educadas para a cidadania, na escola, configurando uma crise de valores

Por fim, e como complemento, relacionamos ainda um outro fator.

A partir de meados dos anos 1970, o Brasil entrou numa fase de abertura econômica, acompanhando o período de democratização. De forma mais intensa, verificamos nos anos 1990 a mudança no padrão de consumo dos brasileiros. Mais eletrodomésticos, mais carros, enfim, toda uma série de novos produtos passaram a fazer parte do horizonte da massa trabalhadora. Embora haja a disponibilidade destes produtos e dos novos padrões de vida, o acesso a eles ainda não é fácil. As pessoas não têm dinheiro para comprar os bens que, hoje, elas julgam necessários. Daí a grande quantidade de financiadoras, empréstimos etc, etc. Quando conversamos com pessoas mais velhas sobre as dificuldades vividas na juventude, eles dirão que mesmo para as pessoas que vinham de outras regiões do país, rapidamente se conseguia comprar uma casa. Geralmente, as famílias eram constituídas por jovens de 20 e poucos anos, e já com casa própria. Hoje, as pessoas não conseguem sair de casa sem se endividar muito.

Quanto a educação, não foi dada a devida atenção no sentido de formar cidadãos. Ou seja, os eforços ficaram concentrados na abertura econômica, e esqueceu-se da democratização. E sem cidadania não há democracia. E daí se fala muito hoje em crescimento, esquecendo-se do desenvolvimento. Ora, um país pode crescer, produzir mais e mais.... mas de que forma sua população está participando disso?

As novas gerações, desprovidas da educação básica - como foi colocado nos parágrafos anteriores - parecem ter incorporado este novo padrão de consumo como principal valor - na falta de outros. E pra isso fazem qualquer coisa. "Ser alguém" hoje, é TER!

Essa deterioração do respeito humano tem como principal característica o que alguns sociólogos chamam de "coisificação". Isto é, ver-se como coisa e tratar os outros como coisa (objetos). Repare que isto independe de classe social, são aspectos que perpassam todas as camadas sociais.

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Blog Pula o Muro. Sobre a atual crise de valores (a causa da causa). 11.junho.2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

POR QUE SEU BAIRRO É ASSIM?

No dia 17.05 tratamos da percepção dos participantes sobre a realidade local e a história do bairro nas dimensões espaço e tempo. Exposição do histórico de investimentos públicos no bairro.

Minervino trouxe um levantamento do desenvolvimento do bairro, desde o século XIX, que dispomos abaixo através de tópicos resumindo os períodos de transformação. A partir deste levantamento, abriu-se a discussão sobre os "porquês" das transformações do bairro ao longo do tempo.

Origem Indígena: O nome do bairro foi citado como constatação de sua origem indígena. Os índios que habitavam esta área deram o nome ao local, que significa "Pedra Dura", devido ao grande número de pedras que formavam o solo e da região.




Grandes Fazendas:
No século XIX a região foi dividida em fazendas que produziam café dentre outros gêneros.




Linha Férrea: Não tardou a construção de uma linha ferroviária por companhias inglesas, que transportava tanto passageiros quanto a produção local aos centros comerciais. Esta linha ligava o bairro ao Rio de Janeiro, então capital da república, e servia também como escoamento da produção agrícola. Posteriormente, o chamado "Trem de Prata" foi utilizado como passeio turístico, sendo desatiado nos anos 1990.


Rafael, participante da Oficina, trouxe em seu blog algumas informações sobre a origem de estradas e bairros a partir da divisão de lotes e a importância da Igreja neste processo:

"Após quatorze anos, as fazendas foram divididas em lotes e vendidas, os compradores fizeram algumas casas e construíram uma capela em louvor à Santa Ana, surgindo assim a Vila Santana. A Fazenda Caguaçu foi vendida à Companhia Carmozina, hoje Vila Carmozina. Foi aí que começou a povoação de Itaquera, em ritmo acelerado.

Os moradores de Vila Carmozina ergueram uma capela em louvor à Nossa Senhora do Carmo, trazendo para a mesma uma pequena imagem (hoje, Matriz Nossa Senhora do Carmo). O primeiro vigário foi o Revmo. Pe. José Bibiano de Abreu, natural de São Paulo, que inaugurou a Matriz a 23 de dezembro de 1928.

Entretanto, Itaquera nasceu com a denominação de "Paragem de Itaquera", quando o Pe. José de Anchieta, por volta de 1556, fundou o núcleo catequético Ururai (S. Miguel Paulista), ordenando a seguir que se abrisse uma estrada em direção ao Caminho do Mar, atual Estrada da Caguaçu, Av. Pires do Rio, Estrada de São Miguel, Estrada de Itaquera, Estrada da Fazenda e daí em diante, com várias denominações em virtude de sua incorporação aos arruamentos por onde passa, ou seja, Estrada João XXIII, Estrada de Sapopemba, Etc. Com a denominação de "Paragem" veio até o fim do século XIX, quando já estava dividida e duas fazendas: Caguaçu e Nossa Senhora do Carmo."




Início do século XX: Neste processo de loteamento das antigas fazendas, alguns estrangeiros compram terrenos no bairro.

Anos 1960 e 1970: Novas famílias chegam à região em busca de moradia barata. Estas famílias, em sua maioria absoluta, vieram de outras regiões do país em busca de trabalho e ali se assentaram dando nova configuração - a atual - ao bairro.


Final dos anos 1960 e 1970: Com a crescente povoação do local provocada pela migração, chega também a ordem dos Salesianos - atual Dom Bosco -, que inicia suas atividades embaixo das árvores e será de grande importância para as novas famílias que chegaram na região no processo de industrialização do país.

Anos 1970: Década de maior transformação do bairro. Nesta época, alguns dos antigos lotes são doados à Igreja. Neste mesmo período há uma chegada maciça de famílias. Muitas casas são erguidas em mutirões e no final da década inicia-se a construção da COHAB José Bonifácio. A Igreja amplia-se, com construção de salão onde acontecem reuniões entre moradores.


Anos 1990: Como resposta à carência de qualificação da mão de obra local, a Igreja passa a construir salas onde serão ministradas oficinas e cursos profissionalizantes. Construção da estação Corinthians-Itaquera do metrô.

Ano 2000: Construção da CDHU - Programa Mutirão. Com a construção da Linha E da CPTM - e da estação Dom Bosco -, consolida-se a vasta rede de transporte da região, o que valoriza o bairro. Ao mesmo tempo, empreendimentos privados, verticais e horizontais, são construídos.



Ano 2008: Contrução do novo prédio para oficinas, ao lado do atual espaço para oficinas e telecentro, onde se realizam os encontros do Projeto Identidade em Rede. Os antigos terrenos comprados pelos estrangeiros e que funcionavam com funcção religiosa fechados são vendidos para construção de novos empreendimentos imobiliários. No entanto, com a riqueza da área verde existente ali, a obra é embargada pelo IBAMA. Quem sabe um novo parque?

Algumas conclusões possíveis

Se por um lado observa-se uma forte relação social impulsionada principalmente pela Igreja, o aumento vertiginoso da população criou um problema de espaço no bairro. As casas já não tem quintais e não há parques nem praças no entorno da Obra Social Dom Bosco. Os participantes ainda destacaram a importância de cada administração no desenvolvimento do bairro. O governo Covas é marcado pela construção de casas em mutirões; o governo Maluf pela finalização da construção da COHAB e das principais avenidas; o governo Marta ficou marcado pela construção dos CEUs e da radialzinha.

Ao final do primeiro dia de discussão, a escassez de áreas verdes mostrou-se como a grande preocupação dos participantes para o bairro. Assim sendo, no dia 31.05 o encontro foi dividido em duas partes: num primeiro momento foi exposto aos participantes as prioridades de cada administração municipal no bairro, desde os anos 1970, e depois nos reunimos no espaço da Igreja Dom Bosco para conversarmos com Marcelo, integrante do grupo ALMA - Aliança Libertária Meio Ambiente - que realiza trabalho de educação ambiental na região e trouxe importantes informações sobre a destinação dos resíduos, reciclagem e fez alertas sobre o consumo.

O pouco espaço é o grande empecilho para a construção de novas áreas de lazer. Mais adiante, os participantes irão elaborar propostas para estes problemas.

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Ao final deste encontro, os participantes passaram a pesquisas imagens que retratassem cada uma destas fases. João Paulo e Minervino localizaram o site http://www.negociosemitaquera.com.br/ , que tem importante acervo de fotos do bairro e que ilustram esta postagem.


segunda-feira, 16 de junho de 2008

COMO É O SEU BAIRRO?

Nos dias 26.04 e 10.05, esta foi a pergunta tema dos encontros.

No dia 26.04, os participantes discutiram os aspectos positivos e negativos do bairro, os quais estão listados abaixo:

Pontos Positivos:

  • Muitas áreas verdes;
  • Locais de lazer e diversão (parques de diversão, parques, quadras e campos de futebol etc.);
  • Crescimento de áreas úteis para a construção de equipamentos voltados para cursos de qualificação e educação (novo prédio da Obra Social Dom Bosco);
  • Churrasco com os amigos (sociabilidade);
  • A movimentação de pessoas;
  • Desenvolvimento do local, principalmente na área comercial.
Pontos Negativos:
  • Desmatamento para construção de prédios, casas e comércio. Sugestão: para cada árvore derrubada, deveria se plantar três árvores em pontos localizados dentro do próprio bairro;
  • Aumento significativo da população, causando com isso o aumento das construções voltadas para moradia e conseqüentemente a diminuição das áreas verdes e também dos quintais das casas;
  • Estagnação do lazer e da cultura, pois os equipamentos destinados a estes fins são os mesmo de antigamente;
  • Diminuição de áreas verdes;
  • Desmatamento para realização de construções (empreendimentos habitacionais);
  • Falta de clubes para realização de atividades voltadas para o lazer, cultura e esportes.
As opiniões conflitantes no que se refere a existência de áreas verdes mostra o quão complexo é a questão ambiental em áreas periféricas, super povoadas. Ao mesmo tempo em que reclamam quanto a ausência de áreas verdes, vêem as construções de moradia e de equipamentos públicos como necessidade.

Para cada opinião, observa-se também diferenças na noção de espaço. Quando se elogia a quantidade de áreas verdes, geralmente se refere a um espaço maior que o distrito de Itaquera, abrangendo também o Parque do Carmo e o Conjunto Habitacional José Bonifácio. Como diz Rafael:

“É um bairro com muito verde e lugares para se divertir, como o parque de diversões que tem no centro de Itaquera, o Parque do Carmo, além de quadras e campos de futebol”.

Embora haja opiniões divergentes, todos associam a diminuição de áreas verdes com o crescimento do bairro. Minervino resume bem o sentimento em relação a atual situação:

“É um bairro em crescimento constante. Antigamente o espaço físico com áreas verdes era bem maior do que hoje em dia, sendo que o crescimento populacional e comercial fez com que estes espaços diminuíssem.O novo é sempre interessante.”

A frase acima em negrito sugere que toda nova construção mostra-se, em princípio, necessária. Mas a constante mudança da paisagem deixa a dúvida sobre a real necessidade.

No dia 10.05 foi exibida uma apresentação em powerpoint com uma sintese da discussão do encontro anterior e a exposição de dados oficiais sobre o bairro.

Em primeiro lugar, foi exibida a divisão por distritos na zona leste de São Paulo, subdividida em Centro-Leste, Leste 1 e Leste 2. Para os dados apresentados a seguir, foram considerados apenas os distritos da Leste 1 e Leste 2, que tem como limítrofes para a Centro Leste os distritos Penha, Vila Matilde, Cidade Líder, Aricanduva e Sapopemba. Assim, como comparativos, bairros como Vila Carrão, Vila Formosa e Tatuapé estão fora desta apresentação. A estrela indica a localização do Telecentro onde é realizada esta oficina.


Após, alguns dados foram discutidos:

População de Itaquera (2007): Total - 211.668 / Até 19 anos - 81.039

Como comparação, a maior população na zona leste está em Sapopemba, com um total de 289.345 moradores, sendo que 109.954 têm até 19 anos; e a menor está no Parque do Carmo (distrito vizinho), com um total de 66.170 moradores, sendo que 25.838 até 19 anos. Dada a demanda por espaço e moradias, os números nos alertam para a possível ocupação da região do Parque do Carmo, pouco povoada por abrigar uma APA - Área de Proteção Ambiental - onde se localiza um grande parque que dá nome ao distrito.

Rendimento médio dos chefes de família de Itaquera (2006): R$1.826,74 .Em 2006, o salário mínimo (SM) ficou em R$350,00. Portanto, a média do distrito equivale a pouco mais de 5 SM. No entanto, 56,7% dos chefes de família recebe ATÉ 5 SM e 22% até 2 SM.

A média municipal é de R$1784,93.

No mapa a seguir há a disposição de equipamentos públicos de Transporte, Saúde, Educação e Áreas Verdes, destacando a área de atuação do Telecentro Dom Bosco II (traço vermelho)e o distrito de Itaquera:


No entorno do Telecentro Dom Bosco II há 2 hospitais (um público - Hospital Planalto - e um privado - Hospital Itaquera); 1 escola pública de 5a. a 8a. série e Ensino Médio; 1 estação da CPTM (Dom Bosco). No distrito de Itaquera há mais 6 escolas de 5a a 8a. série e Ensino Médio e 1 de Ensino Fundamental e Médio; 1 CEU, 1 estação do metrô (Corinthians Itaquera), 1 estação da CPTM (idem), 1 grande pólo comercial. Há poquíssimas áreas verdes no distrito, e só no terreno da Obras Social Dom Bosco é que há área verde no entorno do Telecentro.

Temos, ao final destes dois encontros, um panorama de como é o bairro atualmente. A partir de agora, pesquisaremos os porquês do bairro ser deste jeito.

Para finalizar, seguem algumas imagens do local captadas em 05.04, na aula de campo realizada por ocasião da indisponibilidade do Telecentro, que estava fechado devido a manutenção na Obra Social Dom Bosco. Nelas estão registradas todos os principais pontos característicos do entorno, na visão dos participantes da oficina.

OBRA SOCIAL DOM BOSCO, onde a oficina é realizada.


Construção de novo edifício da OSDB em antigo terreno de horta comunitária, onde serão ministradas novas oficinas e cursos profissionalizantes.


Mutirão, ao lado do campo de futebol dentro da OSDB
CDHU, aos fundos do campo (sentido Conjunto José Bonifácio)
Novos empreedimentos imobiliários (sentido pólo comercial de Itaquera - centro)

Outras imagens serão utilizadas nas próximas postagens.

domingo, 8 de junho de 2008

Identidade em Rede é tema de reportagem


Neste mês de maio, a Revista Gente - publicação dos alunos do curso de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (USJT) - trouxe como tema de matéria o trabalho do Projeto Identidade em Rede desenvolvido no Telecentro Dom Bosco II.



A matéria de Luana Alcântara, intitulada Telecentro: um exemplo de educação e inclusão digital, apresentou na sua primeira parte informações sobre a constituição dos telecentros, sua organização e os procedimentos para utilização. Nesta primeira parte, porém, a matéria apresenta algumas informações desatualizadas.
Na segunda parte da matéria, o Projeto Identidade em Rede foi destacado como exemplo de atividade desenvolvida nos Telecentros. Dados do projeto como dia e horário de funcionamento, além de um resumo dos objetivos e as percepções dos educadores foram expostos.


O destaque da matéria foi o depoimento de Rafael Marquez, 18, participante da oficina de blog (ver quadro abaixo):

Com a publicação da matéria, podemos destacar o alcance proporcionado pelas informações disponibilizadas na internet - na qual os blogs se enquadram - e demonstra que a liberdade de opinião e de comunicação é peça fundamental para o exercício da democracia e da cidadania, foco principal do projeto.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

POR QUÊ VOCÊ MORA NESTE BAIRRO?

Após o encontro inicial, com apresentação do conteúdo a ser tratado na oficina, a primeira questão procurou fazer uma exposição dos motivos de cada participante para a vinda ao bairro e, posteriormente, estabelecer o vínculo de todas as histórias com a história do país.

Com as discussões em sala, o participantes levantaram os seguintes pontos como principais motivos para a vinda e constituição de moradia no bairro, além das particularidades de cada indivíduo:

•Em geral, observamos que a escolha pelo bairro deve-se ao baixo custo da moradia;

•Pode-se dizer que a maioria das famílias, de início, vieram do Nordeste em busca de trabalho na cidade de São Paulo e a construção de conjuntos habitacionais na região aumentou a população consideravelmente;

•A maioria dos jovens até 25 anos já nasceram no bairro (nestes casos, os pais vieram de outras regiões do país).

Como contextualizar estes aspectos na história do Brasil?
Para tanto, recorremos aos fatos relacionados, principalmente, à ordem econômica. Mais precisamente, sobre o processo de industrialização:

•A partir dos anos de 1930, inicia-se um processo de industrialização;

•O governo federal incentiva a vinda de trabalhadores do campo para preencher as vagas nas indústrias;

•Incentivos como a CLT só aos trabalhadores urbanos atraem famílias ao mesmo tempo que evita possíveis conflitos no campo;

•Nos anos 1950, acentua-se o processo migratório, a cidade de São Paulo tem rápido crescimento, mas não oferece estrutura suficiente. Os bairros da periferia passam a ser habitados;

•Nos anos 1970 há muitas moradias irregulares. Moradores da periferia se organizam em mutirões e também iniciam-se a construção de habitações populares (porém insuficientes para atender a demanda);

•No final dos anos 1970, começam as construções dos Conjuntos Habitacionais na região, quando a região passa por grandes transformações em seu perfil de moradia, além do grande aumento populacional.

Dessa maneira, a história de todos os participantes se juntam, apesar das particularidades. As noções de vínculo e totalidade aparecem nítidas nas condicionantes que trouxeram cada um deles, ou seus familiares mais antigos, a morar nesta região da cidade de São Paulo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

QUAL SUA IDENTIDADE?

Construir um blog é fácil, em cinco minutos você já tem ele pronto, na sua preferência. Mas o que publicar num blog?
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Por isso, o Projeto Identidade em Rede trabalha a criação, o conteúdo. A nossa sugestão de conteúdo é a reflexão a cerca dos assuntos locais, desde o histórico do bairro, passando pela relação do morador com o bairro até os assuntos de seu cotidiano. Para trabalhar estes temas, procuramos incentivar o desenvolvimento de conteúdos através de reflexões orientadas por "perguntas-temas". Estas são perguntas simples, mas pouco utilizadas no dia-a-dia dos participantes. O conteúdo produzido nestas discussões serão aproveitados para publicação no blog coletivo.

Desse modo, cada participante desenvolve a identidade, individual e coletivamente, e ao mesmo tempo, um pensamento crítico a respeito da realidade social na qual estão inseridos, desenvolvendo também a reflexão conjunta, o sentido de comunidade e, assim, “chegar a uma autopercepção realista de suas próprias características, potenciais e limitações, superando falsas identidades outorgadas de fora, e atravessando as tempestades em que se alternam excesso e ausência de auto-estima”.(EVERS,1984: p.18)

Abaixo você tem a programação de perguntas-temas e um resumo das discussões. Infelizmente, não é mais possível matricular-se na oficina, mas todos podem participar das discussões. Consulte temas e datas e fique a vontade para participar!
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15.03
Qual sua identidade?
- Introdução e apresentação. Impressões e expectativas.
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29.03, 12.04 e 19.04
Por que você mora neste bairro?
- Exposição dos motivos de cada participante para a vinda ao bairro e o vínculo de todas as histórias com a história do país.
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26.04 e 10.05
Como é o seu bairro?
- Percepção dos participantes quanto a aspectos positivos e negativos do bairro e de infra-estrutura. Associação com dados oficiais e apresentação de gráficos e mapas georreferenciados como complemento às respostas dos participantes.
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17.05 e 31.05
Por que seu bairro é assim?
- Percepção sobre a realidade local e a história do bairro nas dimensões espaço e tempo. Exposição do histórico de investimentos públicos no bairro e bate-papo com liderança comunitária.
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07.06 e 14.06
Como é a escola que você e/ou seus filhos estudam e como você gostaria que ela fosse?
- Percepção dos participantes sobre os aspectos estruturais e organizacionais; preferências e carências; e investigação do conteúdo estudado. Discussão: a importância da educação e do espaço público para a formação da identidade/cidadania.
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21.06 e 28.06
Como você gostaria que seu bairro fosse?
- Exposição sobre a realidade local e do que os participantes sentem falta (citando as aspectos estruturais). Exemplos de outros bairros: como supriram necessidades semelhantes?
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05.07 e 12.07
Como é a cidade de São Paulo?
- Descrição dos aspectos positivos e negativos, inclusive com a citação de localidades para exemplificar. Constraste de investimentos - estrutura e IVJ - entre o bairro e a cidade.
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19.07 e 26.07
Qual sua identidade?
- Retomada das questões anteriores e do conteúdo produzido pelos participantes. Traçar um perfil da identidade individual e coletiva. Quais as percepções e perspectivas hoje?
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02.08
Encerramento: o que posso fazer para que meu bairro seja como desejo?
- Discussão livre passando pela finalidade dos blogs a partir do final da oficina, entrega do blog com todo o conteúdo desenvolvido.
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A partir de agora, iniciaremos a postagem do conteúdo produzido nas discussões.
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referência: EVERS, Tilman. Identidade: a face oculta dos novos movimentos sociais. Novos Estudos Cebrap, nº 4, 1984.